Bem-vinda ao século dos idiotas

Imagem gerada por IA . Texto humano
Existe um poder no conhecimento em uma era na qual a informação, não importa a qualidade, virou o troféu, virou like, virou curtida...virou involução?
Nessa era, a gente coleciona conceitos, não saberes ou conhecimento porque estes pressupõem refletir e questionar . O verdadeiro conhecimento exige desconforto, exige admitir ignorância, repensar certezas, abrir espaço para o não sei. Não é uma diversão, um passeio no parque. Ele não é rápido, não cabe em vídeos curtos cheio de estímulos, e nem pode ser otimizado por algoritmos,
Sabe por quê?
Porque, o se conhecimento vira entretenimento, algo essencial se
perde. Esse nosso anseio de querer saber tudo, nos leva a entender raso.
Repetimos ideias sem perceber suas implicações. E, o mais grave, valorizamos mais a aparência da sabedoria do que a sabedoria em si.
O lucro, a base existencial do TER material desde o estabelecimento da propriedade privada, está sendo reconfigurado em sua lógica na era internética pela economia da atenção, na qual somos todos produtos monetizáveis.
Empresas, mídias e criadores lutam por um único recurso, o nosso tempo de atenção. O nosso rolar de dedos, que nos torna verdadeiras bestas manipuláveis.
O que realmente prende a atenção?
A provocação das emoções mais fortes.
O que desperta essas emoções?
Tudo que nos provoca medo, indignação, ódio, xenofobia, a homofobia o inimigo comum, as verdades destorcidas, mulheres que despontam, questionam... O sentimento vira narrativa, que vira engajamento, que alimenta a economia da atenção
Toda a estrutura desse modelo de negócio aposta em conteúdos que mantém a engrenagem, de preferência que dividam a audiência e a sociedade em grupos que os mantenham ocupados e separados.
O pensar individualizado fica fora de moda. Temos que pensar em bandos.
O sentido de pertença deixa de ser humano e passa a ser o da união por crença. Já não temos as nuances, as cores, as divergências que fazem com que a história avance...partimos o mundo pelas radicalidades.
Pensar deixa de ser um instinto individual, questionado, para ser fomentador do sentir. Estamos perdendo o hábito da meditação. Da calma. Estamos cada vez mais impulsivos e menos questionadores das certezas. Quase nunca desconfiamos das fontes. As aceitamos desde que se aproximem do que acreditamos.
Enquanto isso, estamos entrando em uma curva perigosa da história. Um certo déjà vu da humanidade, quando as certezas de grupos com seus modelos de negócios, impulsionaram verdades que não aceitavam contraditórios. Que justificaram a tentativa do apagamento da ciência, das experiências históricas de saberes ancestrais femininos e de quem pensava diferente.
A revolução da tecnologia por algoritmos, que não é inteligente e nem artificial, gera a sensação que é inevitável, insubstituível ou indomável. Retrocede com a humanidade, ao criar uma narrativa que desperta, escala, privilegia o pior do ser humano: a intolerância, a exclusão, a separação, a arrogância.





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